Fim da marca a fogo nos bois: medida é anunciada em São Paulo

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Maurício "o Estagiario"

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Published on maio 14, 2024, 1:14 pm

Finalmente, uma medida favorável à não obrigatoriedade da marca de fogo na face dos bovinos vacinados contra a brucelose foi anunciada em São Paulo. O governo do estado lançou uma resolução que oferece alternativas aos pecuaristas que desejam vacinar seus animais, mas não querem mais realizar a marcação por meio do fogo na face.

A partir de agora, será possível utilizar um identificador específico com cores diferenciadas. As cores amarelo e azul serão utilizadas para os animais vacinados com os tipos de vacina B19 e RB51, enquanto o vermelho será destinado aos animais diagnosticados positivamente para brucelose e tuberculose. Esses identificadores são como pequenos brincos redondos com marcações específicas. É importante destacar que essa alternativa não é obrigatória, mas sim uma opção disponível para os pecuaristas do Estado de São Paulo.

Essa mudança é extremamente relevante porque pesquisas científicas têm evidenciado que a região da face dos animais é uma das partes mais sensíveis e doloridas, pois possui um maior número de terminações nervosas. Além disso, a marcação por meio do fogo no rosto dos bois apresenta dificuldades técnicas, pois precisa ser feita próximo aos olhos dos animais, exigindo um grande cuidado durante o processo.

Outra preocupação relacionada à técnica da marcação por fogo é o risco de acidentes tanto para os responsáveis pela realização do procedimento quanto para os próprios animais. Além disso, há relatos sobre a dificuldade de leitura das marcas durante as atividades de fiscalização realizadas pelos agentes estaduais. Vale ressaltar que a marcação a fogo é uma prática adotada não apenas no Brasil, mas também em outros países ao redor do mundo com o objetivo de identificar os animais.

No entanto, com o avanço da tecnologia, é possível substituir essa forma de identificação por outras opções menos invasivas e mais efetivas, como o uso de brincos, botons eletrônicos e tatuagens. Essa mudança não só representa um avanço para o bem-estar animal, mas também promove maior conscientização sobre as questões relacionadas à pecuária.

Iniciativas como essa permitem que o agronegócio seja visto como uma atividade preocupada com a sustentabilidade, segurança do trabalho e facilitação do manejo dos animais. Seria positivo se outros estados seguissem esse exemplo e adotassem medidas semelhantes para eliminar a marcação a fogo na face dos bovinos.

Devemos valorizar iniciativas que visam modernizar as práticas do campo, buscando sempre o equilíbrio entre produção sustentável e cuidado com os animais. É importante reconhecer que o bem-estar animal é fundamental para garantir a qualidade dos produtos que chegam à nossa mesa.

*Nota: Carmen Perez é pecuarista e defensora das práticas de bem-estar animal na produção agropecuária. Atua há 14 anos na fazenda Orvalho das Flores, localizada no centro-oeste brasileiro, em parceria com o Grupo Etco da Unesp de Jaboticabal e universidades internacionais. Também foi presidente do Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA) nos anos de 2017 e 2018.

Lembramos que os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem necessariamente a opinião da Forbes Brasil e seus editores.

Fonte: [Forbes Brasil](https://forbes.com.br/forbesagro/2024/02/carmen-perez-marca-a-fogo-nos-bois-deixa-de-ser-obrigatoria-em-sao-paulo/)

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