Gigantes varejistas como Walmart e Amazon apostam em publicidade para impulsionar seus negócios

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Maurício "o Estagiario"

Textos otimizado com nossa IA

Published on maio 2, 2024, 8:14 pm

O Walmart está expandindo seus negócios ao adquirir um fabricante de TVs, enquanto a Amazon ajustou o preço de seu serviço de streaming. Você já sabe o que essas movimentações têm em comum? Ambos os gigantes varejistas estão aumentando seu apetite por algo que seus clientes provavelmente estão cansados: publicidade.

Essas ações destacam uma mudança no cenário do mercado, que começou quando a Netflix percebeu as limitações do modelo baseado apenas em assinaturas e lançou um plano mais barato que inclui comerciais. Parece que o aumento da receita proveniente da publicidade supera qualquer risco de afastar os espectadores avessos a anúncios.

A Amazon foi pioneira ao integrar a publicidade como parte fundamental de seu negócio. No ano passado, a empresa arrecadou cerca de US$ 47 bilhões em receitas publicitárias, tornando-se uma das principais plataformas para exibição de anúncios, atrás apenas da Alphabet (Google) e da Meta (Facebook/Instagram).

Nos Estados Unidos, o Walmart também vem tomando medidas agressivas para competir por uma fatia do mercado publicitário. Sua divisão de venda de anúncios faturou US$ 3,4 bilhões em 2023, um aumento de 28% em relação ao ano anterior. A verdadeira motivação por trás da aquisição anunciada da marca de smart TVs Vizio (no valor de US$ 2,4 bilhões) é impulsionar esse negócio.

Com o objetivo de gerar receita proveniente de anunciantes e serviços publicitários, a Vizio adaptou seu modelo de negócio e obteve um lucro de US$ 260 milhões nos primeiros nove meses do ano passado. Agora, com cerca de 18 milhões de contas ativas nos EUA, a empresa possui uma quantidade significativa de dados de visualização que podem complementar os esforços publicitários já existentes do Walmart.

Segundo analistas citados pela revista “Adweek”, o Walmart se tornará ainda maior no setor publicitário ao absorver os inventários de TVs conectadas da Vizio. Além disso, os dados gerados pelos espectadores que utilizam os produtos da Vizio ajudarão o negócio publicitário do Walmart a se aproximar de um sistema fechado similar ao da Amazon.

É possível que haja alguma resistência por parte do público em relação à combinação contínua entre publicidade e varejo. Por exemplo, alguns consumidores podem suspeitar que o Walmart esteja empurrando os aparelhos da Vizio para quem está procurando comprar uma nova TV na loja. No entanto, as previsões indicam que o segmento conhecido como “retail media” deve crescer cerca de 20% ao ano até 2027.

Falando em Amazon, recentemente a empresa adicionou anúncios ao seu serviço de streaming Prime Video. Para potenciais anunciantes, essa é uma oportunidade interessante, afinal o Prime Video possui um alcance significativo (sendo o segundo maior serviço de streaming depois da Netflix e do YouTube) e oferece muitos dados para análises.

No entanto, a Amazon também oferece aos clientes a opção de pagar uma taxa mensal para evitar anúncios. Essa decisão foi controversa e muitos usuários não gostaram, pois viram como uma forma de extorsão. De fato, uma ação coletiva movida contra a Amazon acusa a empresa de publicidade enganosa.

Apesar das polêmicas, os analistas do mercado estão otimistas. Como resultado dessas mudanças, é estimado que a Amazon gerará mais de US$ 3 bilhões em receita publicitária nos próximos dois anos e mais de US$ 1 bilhão em receitas de assinatura para aqueles que optarem por pagar a taxa premium e evitar anúncios.

Em certo sentido, parece que a Amazon percebeu que o público está cansado de anúncios, mas também que essa fadiga pode ser lucrativa. As estratégias adotadas pelas grandes empresas varejistas mostram uma nova realidade no mundo da tecnologia e do marketing: a publicidade está se tornando cada vez mais integrada às suas operações principais.

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